China cobra fim 'imediato' de taxas de Trump e promete retaliação
UOL
Numa declaração dura contra o governo de Donald Trump, a China anuncia que está pronta para adotar medidas retaliatórias contra os EUA caso as tarifas anunciadas pela Casa Branca sejam mantidas.
Num comunicado publicado nesta quinta-feira, o Ministério do Comércio da China afirmou que tomará "contramedidas resolutas" e pediu a Washington que cancele as medidas tarifárias unilaterais.
"A China pede que os EUA resolvam adequadamente as diferenças com os parceiros comerciais por meio de um diálogo igualitário", disse o comunicado. Pequim destacou como muitos países 'expressaram forte insatisfação e clara oposição'.
A China foi um dos países mais afetados, com um incremento de taxas de 34%. A barreira seria imposta acima dos das tarifas existentes de 20% sobre as importações da China. Na prática, isso significa que a verdadeira taxa tarifária sobre a China passa a ser de 54%.
Pequim é considerada como a grande responsável pelo déficit comercial dos EUA e passou a ser alvo de uma ofensiva por parte de Trump para frear seu avanço pelo mundo.
O Japão também reagiu, dizendo que as tarifas ameaçam os investimentos do país nos EUA. Os produtos de Tóquio passarão a ser taxados em 24%.
A UE também promete anunciar uma resposta amanhã, enquanto o Brasil acaba de aprovar uma lei que permite uma retaliação contra os americanos. O projeto contou com o apoio de ruralistas e da base do governo.
Imediatamente após o anúncio, no qual Trump insistiu que estava sendo "gentil", seu governo correu para fazer ameaças.
Falando à imprensa aliada ao governo, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, advertiu que o país que retaliar os EUA sofrerá um aumento ainda maior das taxas.
"Meu conselho para todos os países neste momento é: Não retaliem", disse Bessent. "Sentem-se, absorvam a situação e vejamos como ela se desenrola. Porque se você retaliar, haverá uma escalada. Se você não retaliar, esse é o ponto alto."
A fala do secretário foi interpretada por parceiros comerciais como um sinal de que a guerra comercial pode ser uma realidade. O governo Trump espera que seu gesto obrigue países a negociar com os americanos.