China cobra fim 'imediato' de taxas de Trump e promete retaliação

03 de abril de 2025 às 07:46
Mundo

Foto: Reprodução

UOL

Numa declaração dura contra o governo de Donald Trump, a China anuncia que está pronta para adotar medidas retaliatórias contra os EUA caso as tarifas anunciadas pela Casa Branca sejam mantidas.

Num comunicado publicado nesta quinta-feira, o Ministério do Comércio da China afirmou que tomará "contramedidas resolutas" e pediu a Washington que cancele as medidas tarifárias unilaterais.

"A China pede que os EUA resolvam adequadamente as diferenças com os parceiros comerciais por meio de um diálogo igualitário", disse o comunicado. Pequim destacou como muitos países 'expressaram forte insatisfação e clara oposição'.

A China foi um dos países mais afetados, com um incremento de taxas de 34%. A barreira seria imposta acima dos das tarifas existentes de 20% sobre as importações da China. Na prática, isso significa que a verdadeira taxa tarifária sobre a China passa a ser de 54%.

Pequim é considerada como a grande responsável pelo déficit comercial dos EUA e passou a ser alvo de uma ofensiva por parte de Trump para frear seu avanço pelo mundo.

O Japão também reagiu, dizendo que as tarifas ameaçam os investimentos do país nos EUA. Os produtos de Tóquio passarão a ser taxados em 24%.

A UE também promete anunciar uma resposta amanhã, enquanto o Brasil acaba de aprovar uma lei que permite uma retaliação contra os americanos. O projeto contou com o apoio de ruralistas e da base do governo.

Imediatamente após o anúncio, no qual Trump insistiu que estava sendo "gentil", seu governo correu para fazer ameaças.

Falando à imprensa aliada ao governo, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, advertiu que o país que retaliar os EUA sofrerá um aumento ainda maior das taxas.

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"Meu conselho para todos os países neste momento é: Não retaliem", disse Bessent. "Sentem-se, absorvam a situação e vejamos como ela se desenrola. Porque se você retaliar, haverá uma escalada. Se você não retaliar, esse é o ponto alto."

A fala do secretário foi interpretada por parceiros comerciais como um sinal de que a guerra comercial pode ser uma realidade. O governo Trump espera que seu gesto obrigue países a negociar com os americanos.