Falta de médicos, demissões e serviços suspensos agravam crise na saúde de Alagoas

06 de novembro de 2026 às 08:02
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Falta de médicos, desligamentos e problemas estruturais afetam diferentes unidades da rede estadual de saúde de Alagoas. - Foto: Aaron Neves/Francês News

Por Redação com Francês News

A rede estadual de saúde de Alagoas enfrenta uma sequência de problemas que já afeta profissionais e pacientes. Em poucos dias, foram registrados suspensão de atendimentos obstétricos no Hospital da Mulher, pedidos de demissão de médicos, desligamentos no Hospital Geral do Estado (HGE), cancelamento de cirurgias eletivas, denúncias de falta de insumos e até interrupção do almoço fornecido aos servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O episódio mais recente ocorreu no Hospital da Mulher Dra. Nise da Silveira, em Maceió. A unidade comunicou ao Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal) que suspenderia temporariamente os atendimentos obstétricos a partir do meio-dia de quinta-feira (5), porque teria apenas um obstetra disponível para o plantão noturno.

Segundo a coordenação do serviço, um único profissional não conseguiria atender simultaneamente triagem, partos, procedimentos, pacientes internadas, gestantes e puérperas. A Central de Regulação foi acionada para redirecionar os casos a outras unidades.

Cortes salariais e avisos de demissão

A falta de profissionais ocorre no momento em que dezenas de médicos começaram a entregar avisos prévios de demissão nos hospitais estaduais. De acordo com o Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL), a reação foi provocada por um desconto de aproximadamente 15% nos pagamentos referentes a outubro.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) teria reconhecido a pendência e assumido o compromisso de ressarcir os valores, mas sem estabelecer uma data. O sindicato alerta que novos desligamentos podem comprometer as escalas das unidades, principalmente no período de fim de ano. Cópias dos avisos foram protocoladas na Sesau, no Ministério Público de Alagoas e no Cremal.

No Hospital Geral do Estado, o Sindicato dos Enfermeiros de Alagoas (Sineal) afirma que quase cem profissionais da enfermagem e de outras áreas teriam sido desligados. Segundo a entidade, a Sesau determinou uma redução superior a 15 mil horas de trabalho, inclusive em setores críticos, como as Unidades de Terapia Intensiva.

O sindicato não informou a qual período corresponde o corte, e os números ainda não foram confirmados oficialmente pelo governo. O Conselho Regional de Enfermagem (Coren-AL), porém, também manifestou preocupação e alertou para o risco de sobrecarga das equipes e prejuízos à segurança dos pacientes.

Cirurgias canceladas e falta de materiais

Relatos encaminhados ao Francês News indicam que cirurgias eletivas foram canceladas no HGE após a redução do quadro funcional. Trabalhadores também denunciaram infiltrações, possível mofo, danos no teto e ar-condicionado quebrado no repouso dos técnicos de enfermagem da emergência.

No Hospital Regional da Mata, em União dos Palmares, médicos discutem uma possível paralisação diante da falta de materiais. Até agora, não foi divulgado comunicado formal nem definida uma data para eventual suspensão dos serviços.

A crise também alcançou o Samu de Maceió. Servidores foram orientados a levar o próprio almoço depois da interrupção das refeições. Profissionais ainda relatam problemas na climatização e afirmam que precisaram levar ventiladores de casa para enfrentar o calor durante os plantões.

Os problemas contrastam com novos investimentos e transferências anunciados pelo Estado. Nas últimas semanas, o governo autorizou R$ 20 milhões para o Fundo Municipal de Saúde de Batalha e R$ 5 milhões para Roteiro, ambos em parcela única. Também assinou contrato de R$ 95,2 milhões para construir uma maternidade e uma policlínica em Arapiraca, enquanto o Hospital Metropolitano do Agreste, atualmente avaliado em R$ 202,8 milhões, permanece atrasado.

Os repasses municipais e contratos de obras têm finalidades próprias e não demonstram, isoladamente, relação direta com os cortes nas unidades. O conjunto dos episódios, no entanto, aumenta a cobrança para que a Sesau explique suas prioridades, apresente um plano de recomposição das equipes e informe quando os serviços afetados serão normalizados.

O espaço permanece aberto para manifestação do Governo de Alagoas e atualização das providências adotadas.