Rafael Tenório: “Não queremos ninguém da oposição dentro do CSA”, diz novo presidente do CSA
Francês News
Aclamado presidente do CSA na noite desta terça-feira (27), Rafael Tenório deixou claro em entrevista coletiva que não pretende dividir o comando do clube com grupos rivais. Ao falar sobre a relação entre a diretoria executiva e o Conselho Deliberativo, o dirigente foi direto: “Nós vamos caminhar de mãos dadas. Não queremos ninguém da oposição dentro do CSA. Queremos todo mundo que reme”.
Tenório justificou a postura com o histórico recente do clube, marcado por embates entre executivo e conselho. “Não precisa a gente repetir aqui o que aconteceu com o Omar [Coelho], depois com a Mirian [Monte], depois com o [Robson] Rodas. Nós não queremos que isso aconteça mais com o CSA”, afirmou. Ele ponderou que discordâncias são normais, desde que todos estejam “comprometidos com o resultado”.
Para garantir essa sintonia, o novo presidente já tem nomes de confiança para os principais postos. A advogada e ex-secretária de Estado Carol Balbino, ligada ao seu grupo de empresas, deve presidir o Conselho Deliberativo, e a vice-presidência deve ficar com outra mulher. Tenório citou a filha, a arquiteta Bianca Tenório, como possível integrante da diretoria do conselho. Os secretários também serão “pessoas da nossa confiança”. Já Alberto Luiz, presidente da comissão eleitoral, deve assumir o Conselho Fiscal.
Salários atrasados: “É inaceitável”
Outro tema delicado foi a situação dos funcionários, que estão perto de completar dois meses sem receber. Tenório classificou o atraso como “inaceitável” e disse que o superintendente administrativo-financeiro, Hugo Leahy, vai se reunir com o presidente Robson Rodas para resolver o problema de imediato, priorizando os trabalhadores do CT, que chamou de “as pessoas mais necessitadas no clube”.
Para o futuro, o compromisso é de pagamento integral dentro do próprio mês ou, no máximo, até o dia 5. “A única certeza que nós vamos ter é que funcionários e jogadores receberão seus salários integrais”, garantiu.
“Mais com menos”
Se a promessa sobre salários foi firme, a do campo veio com freio. Tenório reconheceu que o clube não tem receita e pediu realismo à torcida. “Nós não podemos prometer para a nossa torcida que vamos fazer uma equipe de Série B. Nós vamos fazer mais com menos”, disse.
A estratégia passa pela base. Sem dinheiro para grandes contratações, o CSA vai apostar na revelação de jogadores, e a nova diretoria já observou o time sub-20. O clube também não terá executivo de futebol. Em vez disso, Tenório quer um coordenador que atue tanto no profissional quanto na base, além de um jovem analista de desempenho.
O presidente disse que já tem um nome para a coordenação e faria o convite nesta quarta-feira (28), mas não quis revelá-lo antes da conversa. Adiantou apenas que se trata de um profissional com várias passagens e títulos como treinador e que, se aceitar, deixará a torcida “muito feliz”.
Raio-x das dívidas e transição
Antes de tomar decisões financeiras, a nova gestão quer um levantamento completo do passivo do clube, incluindo dívidas trabalhistas, previdenciárias, de FGTS, tributárias, cíveis, verbas rescisórias e multas contratuais. Segundo Tenório, foi justamente a necessidade de reunir essas informações que o levou, inicialmente, a defender que a aclamação ficasse para 10 de novembro.
Na prática, Robson Rodas segue no comando do dia a dia até o registro da ata, processo que deve levar de 30 a 45 dias. Enquanto isso, Tenório e seu departamento de futebol já trabalham em paralelo na escolha de comissão técnica e jogadores. A meta é ter o elenco montado por volta de 20 de novembro e iniciar a pré-temporada até 5 de dezembro.
O retorno, segundo ele, atende a um pedido da torcida. “Em qualquer lugar público, uma praia, um shopping, um restaurante, até criança de 8, 10 anos perguntava: ‘Presidente, é verdade que você vai voltar?’”, contou. O planejamento, disse, é recuperar o CSA ao longo dos próximos quatro anos.