Candidatos abandonam Renanzinho Calheiros após serem excluídos por secretários de estado
Redação
Fontes ouvidas pela reportagem relatam desconforto de aliados com diretriz que exclui candidaturas proporcionais da panfletagem feita por integrantes do governo
Após a divulgação de mensagens que indicam que secretários estaduais foram orientados a pedir votos apenas para o candidato ao governo, Renan Filho, candidatos a deputado estadual da base aliada começaram a se afastar da campanha majoritária, segundo fontes ouvidas pela reportagem.

De acordo com interlocutores de campanhas proporcionais, a orientação foi recebida como um sinal de que a estrutura ligada ao governo não pretende trabalhar pelos candidatos a deputado, que contavam com a associação ao nome de Renan Filho para ampliar a própria votação.
Parte desses candidatos, segundo as fontes, já reduziu a presença em agendas conjuntas e passou a priorizar a campanha individual.
A insatisfação ganhou força depois que veio a público um print atribuído à secretária de Estado da Mulher, Marília Albuquerque. Na mensagem, enviada a um grupo identificado como "Fiscais e advogados", ela afirma que o grupo foi criado para atuar "para o Renan Filho, Pai. Não para deputados", e diz que o governador Paulo Dantas pediu que a panfletagem não incluísse pedidos de voto para candidatos proporcionais.
"Se cada um for querer se aproveitar e usar pro seu deputado, o trabalho não é pro governo", diz outro trecho atribuído à secretária.
Para interlocutores ouvidos pela reportagem, a diretriz rompe a lógica da chamada "dobradinha", em que candidatos majoritário e proporcional dividem material e militância.
Uso de servidores
A Lei das Eleições proíbe a cessão de servidores ou o uso de seus serviços em favor de candidato durante o expediente, salvo em caso de licença. A atuação voluntária, fora do horário de trabalho e sem pressão hierárquica, é permitida. A autenticidade do print e as circunstâncias do envio das mensagens não foram confirmadas de forma independente.