Saúde de Alagoas pagou R$ 34 milhões à Propag durante gestão de secretário investigado pela PF

21 de setembro de 2026 às 07:39
Polícia

Foto: reprodução

Por Francês News

O Fundo Estadual de Saúde de Alagoas empenhou R$ 39,67 milhões e pagou R$ 34,07 milhões à Propag Turismo entre janeiro de 2023 e 20 de setembro de 2026, período abrangido pela gestão de Gustavo Pontes de Miranda na Secretaria de Estado da Saúde.

Os registros mostram ainda R$ 35,87 milhões em despesas liquidadas. O fundo respondeu por aproximadamente 41% de tudo que o Governo de Alagoas pagou à agência de viagens no período analisado.

Gustavo Pontes foi alvo da Operação Estágio IV, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2025. A investigação apura suspeitas relacionadas a contratos e pagamentos da Saúde estadual, mas os documentos analisados nesta reportagem não apontam irregularidade nos serviços prestados pela Propag.

Não há, até o momento, elemento que vincule os pagamentos à agência de viagens aos fatos investigados na operação.



Tratamento Fora do Domicílio concentra despesas


A maior parte dos recursos pagos pelo Fundo Estadual de Saúde aparece classificada como passagens para Tratamento Fora do Domicílio, o TFD.

Nessa categoria, foram empenhados R$ 34 milhões entre janeiro de 2023 e setembro de 2026. O valor liquidado chegou a R$ 30,29 milhões, enquanto o montante efetivamente pago foi de R$ 29,01 milhões.

Também foram registrados R$ 2,85 milhões em pagamentos classificados como passagens dentro do país, além de R$ 1,88 milhão em passagens e despesas de locomoção de exercícios anteriores.

Somente em 2026, considerando a consulta até 13 de setembro, o Fundo Estadual de Saúde empenhou R$ 8,18 milhões para a Propag. Foram liquidados R$ 5,13 milhões e pagos R$ 4,92 milhões. Desse último valor, R$ 4,83 milhões estavam relacionados ao TFD.

Operação começou após denúncia


Conforme já mostrou o Francês News, a investigação que originou a Operação Estágio IV começou em abril de 2024, após uma denúncia anônima sobre o suposto transporte de dinheiro proveniente de recursos desviados da Saúde.

A PF aprofundou a apuração depois de identificar viagens, transferências bancárias, relações entre investigados e pagamentos feitos pelo Estado ao Núcleo de Ortopedia e Traumatologia. Gustavo Pontes chegou a ser afastado do cargo, mas retornou após decisão do Superior Tribunal de Justiça.

A defesa do secretário nega irregularidades. O caso continua em investigação e não há condenação definitiva contra os envolvidos.