Governo libera R$ 4,5 milhões para hospital que deveria estar pronto, mas não chegou a 50%
Francês News
O Governo de Alagoas autorizou uma nova medição de R$ 4.550.645,68 para a construção do Hospital Metropolitano do Agreste, em Arapiraca. O pagamento ocorre enquanto a obra, que deveria alcançar 100% de execução em agosto de 2026, apresenta avanço físico de apenas 48,87%.
Os dados constam no processo administrativo nº E:02000.0000033238/2026, analisado pelo Francês News. A 21ª medição foi atestada pela fiscalização da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e liquidada pelo Fundo Estadual de Saúde em 2 de setembro.
O valor líquido, após retenções, ficou em R$ 4.496.037,93. Os recursos utilizados nessa etapa são provenientes de transferências do Governo Federal vinculadas ao Ministério da Saúde e ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O Relatório Resumo do Empreendimento, elaborado no acompanhamento do contrato com a Caixa Econômica Federal, classifica a situação da obra como “atrasada”.
O cronograma indicava que o hospital deveria estar completamente executado em agosto. O documento datado de 6 de agosto, porém, registra somente 48,87% de execução física — menos da metade do empreendimento.
Antes da nova medição, o avanço acumulado era de 46,05%. Os R$ 4,55 milhões autorizados elevaram o percentual em apenas 2,82 pontos.
O relatório também mostra que, dos R$ 82.763.671 previstos em repasses federais, R$ 78.936.545,14 já aparecem como valores medidos. Isso corresponde a aproximadamente 95% da parcela federal indicada no documento.
No mesmo quadro, a contrapartida financeira de R$ 78.754.544,90 aparece sem valor medido. O registro precisa ser esclarecido pelo Estado, inclusive para saber se a contrapartida foi executada por outro mecanismo ou se ainda não havia sido lançada no acompanhamento federal.
O credor formal da medição é o Consórcio Hospital de Arapiraca, inscrito no CNPJ nº 45.034.602/0001-06. O grupo é formado por quatro empresas: Engenharia de Materiais Ltda., Uchôa Construções Ltda., Telesil Engenharia Ltda. e Companhia de Engenharia e Manutenção, a Arclima.
A Engenharia de Materiais, conhecida como Engemat, lidera o consórcio. A nota fiscal divide a receita da medição da seguinte forma:
- Engenharia de Materiais: 32%, equivalentes a R$ 1.456.206,62;
- Uchôa Construções: 32%, também com R$ 1.456.206,62;
- Telesil Engenharia: 32%, com R$ 1.456.206,62;
- Arclima: 4%, correspondentes a R$ 182.025,82.
O pagamento, contudo, foi autorizado formalmente para uma conta bancária do consórcio. A divisão descrita na nota fiscal indica a parcela correspondente a cada integrante, não quatro transferências independentes realizadas pelo Estado.
O contrato foi assinado em janeiro de 2022 pelo valor inicial de R$ 169.477.710,87. O prazo original de execução era de 21 meses. Um termo aditivo prorrogou a vigência até setembro de 2026 e ampliou o período de execução.
Reportagem publicada anteriormente pelo Francês News mostrou que o custo do empreendimento chegou a aproximadamente R$ 202 milhões após reajustes e que a entrega foi empurrada para 2028.
Há ainda uma inconsistência no novo processo. Despachos da Sesau descrevem a medição como relativa ao período de “05/03 a 04/03/2026”, intervalo cronologicamente impossível. Outro documento apresenta período iniciado em março de 2025 e encerrado em abril de 2026.
O Francês News solicita à Sesau esclarecimentos sobre o erro nas datas, a divergência entre execução física e cronograma, os valores da contrapartida estadual e a nova previsão de entrega. O espaço também permanece aberto ao Consórcio Hospital de Arapiraca e às quatro empresas participantes.