Risco de colapso: laudo expõe estruturas críticas e falta de comprovação de reparos no Rei Pelé
Francês News
Um laudo técnico elaborado em junho de 2026 apontou risco de colapso parcial e necessidade de intervenções emergenciais em diferentes áreas do Estádio Rei Pelé, em Maceió. Dois meses depois, a Procuradoria-Geral do Estado afirmou que os documentos apresentados não eram suficientes para comprovar o cumprimento das recomendações.
O diagnóstico foi elaborado pelo Consórcio High Tech-Progetto e incluiu as lajes superiores das Rampas 02 e 03 entre os pontos críticos. Para esses locais, os técnicos recomendaram interdição parcial imediata e escoramento provisório.
O laudo também apontou risco de desprendimento de uma grande massa estrutural nos alojamentos 29, 31 e 36, localizados no Setor 05. A recomendação foi restringir imediatamente o acesso.
Outros problemas foram identificados no pórtico do estádio, classificado integralmente como estrutura crítica, no Setor 04 e na chamada laje da “ferradura”, situada no Setor 02.

PGE afirmou que faltavam provas das providências
Em despacho publicado no Diário Oficial de 26 de agosto, a PGE registrou que os elementos enviados posteriormente não comprovavam de maneira suficiente a execução das medidas emergenciais.
A Procuradoria também apontou a ausência de uma manifestação técnica posterior e conclusiva capaz de atestar as condições atuais de utilização das áreas afetadas.
Segundo o órgão, questionamentos ou possíveis inconsistências do laudo não poderiam suspender as providências urgentes recomendadas. Na prática, as medidas de segurança deveriam ser adotadas independentemente da continuidade das discussões técnicas sobre o diagnóstico.
A publicação não afirmou que todo o estádio corria risco de desabamento nem determinou a interdição integral do Rei Pelé. Os alertas estão relacionados a estruturas e setores específicos.

Governo confirmou restrições
Após a repercussão, as secretarias de Infraestrutura e de Esporte informaram que as Rampas 02 e 03 e os alojamentos citados permaneciam com acesso restrito.
O governo afirmou que encaminhava o escoramento provisório das rampas enquanto as intervenções definitivas seriam avaliadas pelos responsáveis técnicos. A Selaj também iniciou a revisão do planejamento dos eventos junto à Federação Alagoana de Futebol, aos clubes e aos órgãos de segurança.
Fotografias feitas em 2 de setembro e obtidas pelo Francês News mostram concreto deteriorado, ferragens expostas e corroídas, estruturas metálicas enferrujadas, infiltrações, fiação descoberta e corredores fechados com madeira.
Os registros atuais são compatíveis visualmente com um quadro de deterioração, mas somente uma avaliação profissional pode determinar a gravidade e o risco de cada estrutura fotografada.

MP afirma que obras seguem cronograma
Dois dias depois da publicação do despacho da PGE, o Ministério Público de Alagoas realizou uma vistoria no estádio. Participaram da inspeção representantes das promotorias de Defesa do Consumidor e do Juizado do Torcedor, além de integrantes da segurança pública, da Federação Alagoana e dos clubes.
O MP informou que teve acesso ao projeto de engenharia do escoramento da Rampa 02 e verificou áreas onde reparos já haviam sido realizados. Segundo o órgão, as intervenções observadas cumpriam o cronograma específico apresentado.
A afirmação não elimina o questionamento levantado pela PGE sobre a ausência, até o momento de sua análise, de comprovação conclusiva das medidas emergenciais. Os dois registros foram produzidos em datas diferentes e podem refletir etapas distintas das intervenções.
A série mostra que o Rei Pelé passou por anúncios sucessivos de reformas desde 2016. A intervenção emergencial iniciada em 2021 não impediu que novos riscos fossem identificados cinco anos depois.
