Promotor cita delegado-geral em denúncia envolvendo PCC e CV em concursos de Alagoas
Por Francês News
O promotor de Justiça Coaracy José Oliveira da Fonseca afirmou, em ofício encaminhado à cúpula do Ministério Público de Alagoas (MPAL), que o delegado-geral da Polícia Civil deve ser responsável pela segurança dos concursos públicos em andamento no Estado, inclusive do próximo certame para agentes e escrivães da corporação.
A afirmação ganha peso porque o próprio delegado-geral Gustavo Xavier reassumiu o comando da Polícia Civil de Alagoas mesmo sendo investigado em apurações relacionadas a suspeitas de fraude em concursos públicos, conforme citado pelo promotor no documento.
A manifestação representa uma nova etapa do alerta feito por Coaracy Fonseca sobre o concurso da Polícia Civil. O promotor afirma ter recebido informações que considera consistentes sobre possíveis tentativas de fraude para permitir o ingresso no quadro da segurança pública de pessoas relacionadas à criminalidade organizada.
Entre os grupos mencionados estão PCC, Comando Vermelho e estruturas de pistolagem.
“A proximidade do concurso para Agente e Escrivão da Polícia Civil torna a situação particularmente grave”, afirmou o promotor no ofício.
Segundo Coaracy Fonseca, uma eventual fraude no concurso poderia permitir o ingresso de pessoas que passariam a ter acesso a armas, sistemas policiais, investigações sigilosas e informações de inteligência.
Para ele, por esse motivo, a segurança do certame “não constitui mera questão administrativa” e deve ser tratada como um caso de segurança pública.
Delegado-geral é citado como responsável pela segurança
No documento encaminhado à chefia do MPAL, o promotor registra expressamente que o delegado-geral voltou ao exercício do cargo e, por isso, deve fazer a segurança dos concursos em andamento.
"O Delegado-Geral da Polícia Civil voltou ao exercício do cargo e deve fazer a segurança dos concursos em andamento, conforme se depreende da matéria publicada no portal G1: Delegado-geral investigado por fraude em concursos públicos reassume Polícia Civil em AL".
Coaracy Fonseca cita, no próprio ofício, reportagem sobre o retorno do delegado-geral ao comando da Polícia Civil após o afastamento decorrente das investigações.
O promotor afirma, no entanto, que não pretende prosseguir sozinho na análise de outros concursos realizados pelo Estado por meio do Cebraspe. Segundo ele, as informações obtidas ultrapassaram o campo das possíveis irregularidades administrativas e passaram a envolver riscos que exigem estrutura institucional de inteligência e segurança.
“Não disponho de condições funcionais para enfrentar isoladamente organizações criminosas ou estruturas de pistolagem”, afirma.
Temor pela família
O documento também aprofunda o tom pessoal do alerta. Coaracy Fonseca afirma ter passado a compreender, durante suas pesquisas e investigações, “algumas condutas voltadas” à sua eliminação como membro do Ministério Público, como profissional e pai de família.
O promotor diz que não considera justificável expor sua segurança pessoal e a de seus familiares a riscos dessa natureza sem aparato institucional adequado.
Por isso, comunicou formalmente a situação à chefia do MPAL e afirmou que caberá agora à Procuradoria-Geral de Justiça definir como a instituição enfrentará os riscos relatados.