MDB concentra municípios com maiores cobranças de iluminação pública em Alagoas, aponta levantamento
Por Francês News
Um levantamento da Agência Tatu de Jornalismo de Dados mostra que municípios administrados pelo MDB concentram as maiores proporções de cobrança da Contribuição de Iluminação Pública (CIP) em Alagoas entre as cidades analisadas. O dado ganha peso político após o governador Paulo Dantas (MDB) afirmar que Maceió possui a taxa de iluminação pública mais cara do Nordeste.
A análise, realizada a partir de faturas residenciais de março de 2025, identificou que dez dos 12 municípios avaliados tinham participação da contribuição de iluminação pública na conta de energia superior à registrada em Maceió. Desses dez, nove eram governados por prefeitos do MDB. O único município fora da legenda era Rio Largo, administrado pelo PP, partido aliado do MDB em Alagoas.
Maceió registrou 11,2%, a segunda menor proporção entre as cidades analisadas. O maior percentual apareceu em Santana do Mundaú, administrada por André Castro (MDB), onde a contribuição representou 40% do valor total da conta de energia utilizada no levantamento.
Em seguida aparecem São José da Laje, governada por Vanessa, também do MDB, com 38%, e Rio Largo, com 33%. Palmeira dos Índios, administrada por Tia Júlia (MDB), teve 31%, enquanto Arapiraca, governada por Luciano Barbosa (MDB), registrou 23%.
Penedo e Marechal Deodoro, também administrados por prefeitos do MDB, apareceram com 20%. União dos Palmares registrou 17%, Cajueiro 15% e Colônia Leopoldina 12%. Os três municípios também são governados pela legenda.
Recursos arrecadados no interior vão para consórcio
O debate sobre a cobrança da contribuição ganha outro elemento ao se observar o destino de parte dos recursos arrecadados em municípios do interior.
Reportagem publicada pelo portal T82 em 24 de fevereiro deste ano apontou que o Consórcio Intermunicipal da Zona da Mata Alagoana e Serviços Públicos (Cozam) movimentou mais de R$ 26 milhões em recursos públicos entre 2024 e 2025.
Segundo os demonstrativos de execução orçamentária citados na reportagem, o consórcio registrou cerca de R$ 13,7 milhões em receitas em 2024. Em 2025, as receitas acumuladas ultrapassaram R$ 10,1 milhões.
Entre os municípios com repasses destacados estão União dos Palmares, Branquinha, Santana do Mundaú e Estrela de Alagoas. Todos são administrados por prefeitos do MDB. União dos Palmares e Santana do Mundaú também aparecem entre as cidades analisadas pela Agência Tatu com proporções superiores às registradas em Maceió.
De acordo com a publicação, o Cozam não mantém portal institucional funcional nem divulga de forma acessível informações como contratos, licitações, empresas contratadas, quadro de servidores e relatórios de gestão. A reportagem apontou ainda despesas com contratação de pessoal, serviços de terceiros, gastos administrativos e amortização de dívidas.
Comparação tem limitações
A própria Agência Tatu ressalta que o levantamento não representa uma comparação direta entre as alíquotas estabelecidas pelas legislações municipais. A análise utilizou faturas de consumidores com diferentes níveis de consumo e, por isso, mostra a proporção da CIP no valor total das contas avaliadas.
Em Maceió, consumidores residenciais com consumo mensal de até 60 kWh são isentos da cobrança.