Renan Filho quer impedir na Justiça debate sobre a venda da água em Alagoas
Assessoria PSDB/AL
Quase seis anos depois da venda da concessão dos serviços de água e esgoto da Região Metropolitana de Maceió, realizada em setembro de 2020 durante o governo Renan Filho e que rendeu cerca de R$ 2 bilhões, o MDB decidiu levar à Justiça Eleitoral uma postagem publicada no perfil de JHC que se refere aos problemas enfrentados pela população ocasionados pelo péssimo serviço ofertado pela BRK. O partido sustenta que não houve “venda da água”, mas uma concessão por 35 anos, e pede não apenas a retirada do vídeo publicado pelo pré-candidato, como também que ele seja impedido de repetir conteúdo equivalente.
Enquanto a disputa se concentra no significado jurídico de uma palavra, os números ajudam a explicar por que o assunto continua politicamente incômodo. No fim de 2020, antes da operação da BRK em Maceió, a tarifa mínima para consumo de até 10 metros cúbicos era de R$ 49,70; hoje, está em R$ 76,40, uma alta nominal de aproximadamente 53%. Ao mesmo tempo, mais de 800 mil alagoanos ainda vivem sem abastecimento, a cobertura estadual permanece em torno de 73,3% e cerca de 66,9% da água tratada é perdida durante a distribuição antes de chegar ao consumidor.
No esgotamento sanitário, o quadro apresentado também está distante do que foi prometido quando a operação foi feita. Os dados citados apontam atendimento total próximo de 22%, e na zona rural, baixam para 3%, enquanto o percentual de domicílios alagoanos com esgotamento caiu de 44% em 2023 para 41,9% em 2024 e 37,2% em 2025, ocasionado pelo crescimento de novas moradias. Em Olho d’Água das Flores, a coleta fica em torno de 3%.
Curiosamente, a própria representação do MDB deixa claro que a ação não pretende decidir se a concessão foi acertada, se a tarifa aumentou além do razoável ou se a BRK acumula reclamações no Procon; eles se sentiram incomodados pela afirmação de que Renan Filho “vendeu a água de Alagoas”.
E é justamente nesse ponto que a ação produz um contraste difícil de ignorar. O vídeo questionado afirma que “o serviço piorou e a conta sobrou para quem? Pro povo!”, menciona “falta de água, aumento da conta, cortes de fornecimento, água contaminada” e conclui que “você paga mais caro e o serviço piora”. Essas frases aparecem reproduzidas na própria petição apresentada pelo MDB, destacando que a publicação alcançou 1.536 curtidas e 162 compartilhamentos em apenas quatro horas. Ou seja, um número cada vez mais significativo de alagoanos está se conscientizando da falta de qualidade dos serviços da BRK.
A ação poderá decidir se chamar a operação de “venda” ultrapassa os limites da crítica política e constitui informação falsa, como sustenta o MDB. O que a ação não pretende resolver, conforme seus próprios termos, é se a população está pagando mais, se o serviço melhorou ou se as promessas feitas com a venda da concessão foram efetivamente cumpridas. Assim, enquanto a disputa judicial se concentra na palavra que incomodou o partido, os números da tarifa, das perdas de água, da cobertura e do esgotamento sanitário continuam fora do processo — e dentro da conta paga pela população.