Contratos da Saúde investigados pela PF passaram pela PGE comandada por tia do governador de Alagoas

31 de julho de 2026 às 08:02
Alagoas

Samya Suruagy e o governador Paulo Dantas: tia e sobrinho. - Foto: Assessoria

Francês News

Os contratos milionários da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) que hoje são alvo da Operação Estágio IV passaram previamente pela análise da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), comandada pela procuradora-geral Samya Suruagy, tia do governador Paulo Dantas (MDB). A informação consta no relatório da Polícia Federal, obtido com exclusividade pelo Francês News, que detalha o trâmite administrativo dos processos antes da assinatura dos contratos posteriormente incorporados ao inquérito.

Segundo a Polícia Federal, a Procuradoria emitiu pareceres jurídicos em processos envolvendo a contratação da NG Engenharia e Construções Ltda., empresa que posteriormente passou a ser investigada no âmbito da operação.

É importante destacar que o relatório não afirma que a PGE ou sua procuradora-geral sejam investigadas, mas registra que os processos administrativos passaram pela análise jurídica do órgão antes da formalização das contratações.

De acordo com a investigação, um dos contratos analisados foi o destinado à conclusão do Hospital Regional de Palmeira dos Índios, no valor de R$ 42,3 milhões.

Conforme descrito no relatório da Polícia Federal, a Procuradoria-Geral do Estado autorizou o prosseguimento da contratação após o cumprimento de condicionantes técnicas e jurídicas exigidas durante a tramitação do processo administrativo.

Já nos contratos relacionados às obras do Hospital da Criança, a PGE inicialmente apontou inconsistências e determinou diligências complementares.

Segundo o inquérito, o órgão jurídico exigiu o saneamento de falhas e a complementação da instrução processual antes de emitir manifestação favorável.

Após a apresentação de novos documentos pela Secretaria de Estado da Saúde, a Procuradoria emitiu parecer permitindo a continuidade dos procedimentos administrativos.

Posteriormente, auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) — cujas conclusões foram incorporadas ao inquérito da Polícia Federal — passaram a apontar uma série de possíveis irregularidades nas contratações.

Entre os fatos destacados pela CGU estão:

  • suposta recontratação da mesma empresa por dispensa de licitação, hipótese vedada pela Lei nº 14.133/2021;
  • indícios de direcionamento da contratação;
  • possível montagem processual;
  • restrição à competitividade;
  • prazo reduzido para apresentação de propostas;
  • ausência de publicidade compatível com contratos de elevado valor;
  • alterações contratuais que elevaram significativamente os custos das obras;
  • dúvidas quanto à capacidade técnica da empresa vencedora.

Segundo a Polícia Federal, esses elementos passaram a integrar a investigação que apura supostos crimes relacionados aos contratos firmados pela Secretaria de Estado da Saúde.

Esta é mais uma reportagem da série exclusiva do Francês News, produzida a partir do relatório da Operação Estágio IV, ao qual a reportagem teve acesso.

Nos últimos dias, o portal revelou trechos inéditos da investigação envolvendo contratos públicos, movimentações financeiras, propriedades rurais, pagamentos, empresas e pessoas citadas pela Polícia Federal como parte da apuração.

As informações apresentadas nesta reportagem refletem o conteúdo do inquérito policial e não representam conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal dos citados. A investigação permanece em andamento, sem denúncia recebida ou condenação judicial.