Fornecedora denuncia calote de 9 meses em obra investigada pela PF na Saúde de Alagoas

16 de julho de 2026 às 15:36
Política

Hospital Regional do Médio Sertão foi inaugurado em dezembro de 2025 e integra a investigação da Polícia Federal sobre contratos da Sesau com a NG Engenharia. - Foto: Assessoria

Por Francês News

A empresária Suelli Melo denunciou, nesta quinta-feira (16), durante entrevista ao programa Mobiliza Brasil, da Francês FM, que sua empresa e outros fornecedores da obra do Hospital Regional do Médio Sertão, em Palmeira dos Índios, aguardam há mais de nove meses pelo pagamento de materiais fornecidos à NG Engenharia, empresa investigada pela Polícia Federal na Operação Estágio IV, que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).

Segundo Suelli, a dívida permanece em aberto apesar de tentativas de negociação e até da existência de um processo judicial. Ela afirmou que a situação financeira da empresa se tornou delicada em razão da inadimplência.

"Já passa de mais de nove meses que estamos com essa pendência, boletos vencidos sem pagamento. Inclusive, já existe um processo em andamento e, infelizmente, nada foi regularizado até hoje. Estamos numa situação realmente delicada financeiramente", declarou.

A empresária explicou que sua empresa forneceu diversos materiais utilizados na construção da unidade hospitalar.

"O material fornecido foi material elétrico, hidráulico, parte de pintura e diversos outros materiais para a obra", afirmou.

Segundo ela, o problema não atingiria apenas sua empresa.

"Não só minha empresa, como outros empresários de Alagoas também estão na mesma situação, ou até pior. O pessoal simplesmente sumiu", disse durante a entrevista.

Acordo antes da inauguração

Ainda segundo Suelli Melo, fornecedores chegaram a organizar uma manifestação em frente ao hospital na véspera da inauguração da unidade, realizada em dezembro de 2025, para cobrar os pagamentos atrasados.

Ela afirma que, antes do protesto, um intermediador teria procurado os empresários para negociar um acordo.

"Na véspera da inauguração do hospital, prometemos fazer uma paralisação em frente à obra. Colocaram um intermediador do Estado para fazer um acordo, que, na verdade, foi um cala-boca. Pagaram alguns valores e prometeram quitar o restante. Infelizmente, sumiram e não pagaram até hoje."

A empresária afirmou possuir documentos, comprovantes de pagamentos parciais, além de áudios em que o intermediador assumiria a responsabilidade de buscar uma solução para o caso. O total da dívida chega a quase R$ 500 mil, segundo os documentos que Suelli forneceu a equipe da Francês FM.  

Obra é alvo da Polícia Federal

As declarações surgem no momento em que o Francês News publica uma série especial baseada em relatório da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas.

Conforme revelou a reportagem, a obra do Hospital Regional do Médio Sertão foi contratada emergencialmente junto à NG Engenharia por aproximadamente R$ 19,6 milhões em um processo concluído em apenas 48 horas, após a rescisão do contrato anteriormente firmado com a Porto Belo Engenharia.

Posteriormente, a mesma empresa foi novamente contratada, também pela Sesau, para concluir definitivamente o hospital, em contrato superior a R$ 42 milhões. Somados, os dois contratos ultrapassam R$ 62 milhões.

O relatório da Polícia Federal aponta ainda que a NG Engenharia recebeu mais de R$ 80 milhões em contratos com a Secretaria de Estado da Saúde e registra suspeitas de favorecimento da empresa em contratações emergenciais sem licitação.

Segundo a investigação, o empresário Luciano Neves Garcia, sócio da NG Engenharia, é investigado sob suspeita de realizar pagamentos de vantagem indevida ao então secretário de Saúde, Gustavo Pontes de Miranda Oliveira, em troca do favorecimento da empresa nos contratos públicos. O relatório também registra sete transferências bancárias que totalizam R$ 369 mil para Andreia Araújo Cavalcante, apontada pela Polícia Federal como suposta intermediária ligada ao secretário.

As investigações ainda estão em andamento e não há decisão judicial definitiva sobre os fatos apurados.