Alagoas lidera desigualdade racial em homicídios no Brasil, aponta Atlas da Violência

26 de maio de 2026 às 18:52
Geral

Negros têm 23 vezes mais risco de homicídio em Alagoas. - Foto: Reprodução

Por Redação 

O estado de Alagoas registrou a maior disparidade racial nos índices de homicídios do Brasil. O diagnóstico consta no Atlas da Violência, relatório divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e revela um cenário crítico para a segurança pública local: em solo alagoano, uma pessoa negra teve 23,3 vezes mais chances de ser assassinada do que uma pessoa não negra (brancos, amarelos e indígenas).

O índice consolida Alagoas no topo do ranking nacional da desigualdade racial em mortes violentas, superando com larga margem as demais unidades da federação. O Amapá ocupa a segunda posição do indicador, com um risco relativo de 16,7, seguido por Sergipe, em terceiro lugar, com uma taxa de 6,8.

Os dados escancaram que a violência letal no país atinge de forma severa e desproporcional a população negra, com maior concentração e agravamento em estados da Região Nordeste.

O abismo entre Alagoas e a média nacional

Para fins de comparação, a média nacional do risco relativo aponta que, no Brasil como um todo, pessoas negras tiveram 2,7 vezes mais chances de serem vítimas de homicídio do que não negras — um patamar considerado intolerável por especialistas, mas que ainda assim é consideravelmente inferior ao abismo estatístico verificado em Alagoas.

O Atlas detalha que o risco de morte violenta para a população negra é maior em praticamente todas as regiões do país. A única exceção geográfica identificada no levantamento foi o estado de Roraima, cujo risco relativo fechou em 0,5, sinalizando uma menor incidência proporcional de assassinatos entre cidadãos negros.

Abaixo, veja como se desenha o topo do ranking de disparidade racial na violência:

Posição Estado Risco Relativo (Chances de um negro ser morto em relação a um não negro)
Alagoas 23,3 vezes mais chances
Amapá 16,7 vezes mais chances
Sergipe 6,8 vezes mais chances
- Média Nacional 2,7 vezes mais chances

Racismo estrutural e segurança pública

Além do componente racial, Alagoas permanece na lista das regiões com maior letalidade geral do país, apresentando uma taxa de 35,9 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. Segundo os analistas do Ipea, a brutal diferença de vitimização entre negros e não negros joga luz sobre vulnerabilidades históricas profundas que envolvem a falta de acesso a direitos básicos, desigualdade de renda e falhas estruturais na cobertura de segurança pública nas periferias.

O relatório enfatiza que o racismo estrutural opera de forma velada e muitas vezes não é assimilado pela opinião pública como um dos principais vetores associados à mortalidade urbana.

Para ilustrar a percepção social do problema, o Atlas cita uma amostragem do instituto Ipsos realizada em dez capitais brasileiras. O estudo complementar revelou que 78% dos entrevistados admitem que brancos e negros recebem tratamento desigual no Brasil, apontando o mercado de trabalho e os estabelecimentos comerciais como os principais palcos de discriminação no cotidiano.