Sargento da PM é investigado por tortura e extorsão em esquema de agiotagem

28 de abril de 2026 às 14:13
Polícia

PM é investigado por extorsão, roubo e cárcere privado na Ponta Verde - Foto: Reprodução

Por Redação com TNH1

Um sargento da Polícia Militar de Alagoas tornou-se alvo de investigação do Ministério Público sob a acusação de crimes de extorsão, roubo e cárcere privado no bairro da Ponta Verde, em Maceió. O caso, ocorrido em dezembro de 2025, envolve um esquema de agiotagem em que o militar teria utilizado o aparato estatal e arma de fogo para cobrar uma dívida de R$ 2 mil com juros de 40%.

De acordo com o depoimento da vítima, de 28 anos, as agressões ocorreram após ela ser atraída para uma emboscada. O sargento e um comparsa teriam rendido um amigo da vítima na orla da capital, obrigando-o a simular um convite para jogar videogame. No local, o policial teria colocado uma arma na cabeça do jovem e exigido o pagamento imediato de R$ 3 mil. Durante a ação, a vítima foi obrigada a ficar apenas de cueca e a caminhar de joelhos até um cômodo da residência.

Dentro do imóvel, os agressores filmaram o ato enquanto desferiam golpes no rosto da vítima. Além da violência física, os suspeitos forçaram o acesso às contas bancárias do homem, subtraindo R$ 293,00 entre transferências Pix e dinheiro em espécie, além de um cordão de ouro. O Ministério Público detalha que o PM agiu com "total desvio de finalidade" e "completa dissociação com os deveres inerentes à função".

“A conduta do Sargento PM, ao valer-se de sua condição de Agente de Segurança Pública, fazer uso de arma de fogo e aplicar grave ameaça para cometer extorsão e roubo em benefício próprio e de terceiro demonstra o total desvio de finalidade do aparato estatal”, consta nos autos do MP.

A promotora Alexandra Beurlen determinou, no último dia 23 de abril, que o caso avance como procedimento administrativo para acompanhar o resultado da investigação na Corregedoria Geral da Polícia Militar. A Corregedoria instaurou portaria para apurar a conduta do sargento, que pode responder por crimes de natureza hedionda e enfrentar a expulsão da corporação por transgressão disciplinar gravíssima.