Bolsonaro melhora nos pulmões e pode deixar UTI, mas prisão domiciliar segue com Moraes

19 de março de 2026 às 08:33
Política

O ex-presidente Jair Bolsonaro - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Por Redação 

Internado desde a última sexta-feira (13) no Hospital DF Star, em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro apresenta evolução positiva no quadro de broncopneumonia bacteriana bilateral e pode deixar a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nos próximos dias, embora ainda não haja previsão de alta hospitalar. De acordo com boletim médico divulgado na manhã desta quinta-feira (19), o paciente teve "melhora parcial dos aspectos tomográficos e melhora importante dos marcadores inflamatórios", resultado da resposta favorável ao tratamento com antibióticos.

O cardiologista Brasil Caiado, que acompanha o caso, afirmou que Bolsonaro apresentou melhora nos dois pulmões, com evolução mais significativa no pulmão direito, enquanto o esquerdo ainda mantém "comprometimento moderado". Apesar da melhora, a recuperação é considerada lenta. "No início, os exames indicaram uma piora do quadro, foi o que mais nos preocupou. Ontem foi o dia que ele — muito temerário, preocupado pelo cansaço, pela falta de ar — apresentou melhora progressiva", relatou o médico.

Desde segunda-feira (16), Bolsonaro foi transferido para uma nova acomodação dentro da própria UTI, classificada como "mais adequada" para o quadro clínico atual — uma espécie de unidade intermediária entre a terapia intensiva e o quarto. A expectativa dos médicos é que ele possa deixar a UTI até o fim da semana, mas ainda não há data para alta hospitalar.

Novo pedido de prisão domiciliar

Paralelamente à evolução do quadro clínico, a defesa do ex-presidente protocolou na terça-feira (17) um novo pedido de prisão domiciliar no Supremo Tribunal Federal (STF). O requerimento será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Os advogados argumentam que a internação emergencial comprova a fragilidade do quadro de saúde e que a permanência na Papudinha expõe o ex-presidente a um "risco progressivo".

No documento, a defesa cita o histórico de pneumonias aspirativas recorrentes, refluxo gastroesofágico persistente, apneia do sono grave, instabilidade postural e uso contínuo de múltiplas medicações. "A partir desse dado objetivo, verifica-se que a permanência do peticionário no atual ambiente de custódia expõe o quadro clínico a um risco progressivo, na medida em que a ausência de vigilância contínua e de intervenção imediata favorecem a repetição de eventos semelhantes", diz a petição.

Em entrevista, o médico Brasil Caiado endossou o argumento dos advogados: "Quando falamos do ponto de vista médico, técnico, um ambiente mais acolhedor, com mais recursos de profissionais adequados, multidisciplinares, fisioterapia, sem dúvida nenhuma, o ambiente familiar, residencial, é bem melhor".

Histórico de negativas

No início de março, Moraes já havia negado pedido semelhante, afirmando que a Papudinha dispõe de assistência médica 24 horas, unidade avançada do Samu e livre acesso da equipe médica particular. O ministro também citou a tentativa de Bolsonaro de romper a tornozeleira eletrônica como fator que inviabiliza o benefício. Na ocasião, Moraes destacou "a total adequação do ambiente prisional às necessidades médicas do apenado, com absoluto respeito à sua saúde e à dignidade da pessoa humana".

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve com o ministro na quarta-feira (18) e classificou a reunião como "tranquila e objetiva". Segundo ele, Moraes analisará o pedido em "momento oportuno", sem prazo definido.

Esta é a terceira pneumonia enfrentada pelo ex-presidente desde que foi preso, e a mais severa até o momento. Desde a facada de 2018, Bolsonaro passou por 14 cirurgias, sendo 10 delas diretamente relacionadas a sequelas do ferimento abdominal e complicações decorrentes de procedimentos posteriores. As três cirurgias mais recentes foram realizadas em dezembro de 2025, incluindo uma para correção de duas hérnias na virilha e dois procedimentos para bloquear o nervo frênico e reduzir os episódios de soluço. O ex-presidente permanece internado, consciente e orientado, realizando sessões de fisioterapia respiratória e motora, e segue sob suporte clínico intensivo.