Sindicato rechaça relatório que declara Casal "ineficiente" e acusa Governo de Alagoas de sucatear para privatizar
Por Francês News
O Sindicato dos Urbanitários de Alagoas rejeitou de forma contundente o relatório de uma consultoria paga pelo Governo Paulo Dantas (MDB) que declarou a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) “tecnicamente ineficiente” para operar no Sertão. Para a entidade, o documento ignora o sucateamento proposital da estatal e serve para justificar uma nova etapa de privatização, modelo que já teria agravado a crise no abastecimento no estado.
Segundo o sindicato, a narrativa do relatório é falsa. A Casal não entrou em crise por má gestão, mas foi estrangulada financeiramente após a privatização da distribuição de água e esgoto. Até 2020, mesmo com desafios, a companhia operava com superávit e garantia água no Alto Sertão através do subsídio cruzado – usando a receita de áreas rentáveis para subsidiar o atendimento em regiões pobres.
Com a concessão à iniciativa privada, esse modelo de solidariedade regional foi quebrado. A Casal perdeu receita vital, enquanto o serviço privatizado passou a seguir a lógica do lucro, não a do interesse público.
As consequências, afirma o sindicato, são visíveis: um “verdadeiro caos” no abastecimento, com cidades como Pão de Açúcar, Estrela de Alagoas e Arapiraca enfrentando cortes de mais de 30 dias – cenário “impensável antes da privatização”.
A presidenta do Sindicato, Dafne Orion, critica a tentativa de se aprofundar o modelo. “A chamada remodelação da Casal… tirou a companhia de uma situação superavitária para deficitária. E, o mais grave, piorou o atendimento à população”, declarou. Ela alerta que nova privatização é “condenar a população à seca permanente” e transformar um direito humano em mercadoria.
O sindicato também denuncia a precarização trabalhista nas empresas privadas, com registros de salários abaixo do piso legal, revertidos pela entidade.
A posição dos Urbanitários é clara: a solução passa pelo fortalecimento da Casal e pela retomada da gestão pública e estatal da água. A entidade defende que o Estado reassuma o controle, invista na recuperação da companhia e garanta a universalização do saneamento. “Água não é mercadoria. É vida, é direito e deve estar a serviço do povo alagoano”, conclui a nota.