Sindicato rechaça relatório que declara Casal "ineficiente" e acusa Governo de Alagoas de sucatear para privatizar

07 de janeiro de 2026 às 15:57
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ETA Avião: Governo de Alagoas é acusado de sucatear a Casal para poder privatizar. - Foto: Ascom Casal/Divulgação

Por Francês News

Sindicato dos Urbanitários de Alagoas rejeitou de forma contundente o relatório de uma consultoria paga pelo Governo Paulo Dantas (MDB) que declarou a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) “tecnicamente ineficiente” para operar no Sertão. Para a entidade, o documento ignora o sucateamento proposital da estatal e serve para justificar uma nova etapa de privatização, modelo que já teria agravado a crise no abastecimento no estado.

Segundo o sindicato, a narrativa do relatório é falsa. A Casal não entrou em crise por má gestão, mas foi estrangulada financeiramente após a privatização da distribuição de água e esgoto. Até 2020, mesmo com desafios, a companhia operava com superávit e garantia água no Alto Sertão através do subsídio cruzado – usando a receita de áreas rentáveis para subsidiar o atendimento em regiões pobres.

Com a concessão à iniciativa privada, esse modelo de solidariedade regional foi quebrado. A Casal perdeu receita vital, enquanto o serviço privatizado passou a seguir a lógica do lucro, não a do interesse público.

As consequências, afirma o sindicato, são visíveis: um “verdadeiro caos” no abastecimento, com cidades como Pão de Açúcar, Estrela de Alagoas e Arapiraca enfrentando cortes de mais de 30 dias – cenário “impensável antes da privatização”.

A presidenta do Sindicato, Dafne Orion, critica a tentativa de se aprofundar o modelo. “A chamada remodelação da Casal… tirou a companhia de uma situação superavitária para deficitária. E, o mais grave, piorou o atendimento à população”, declarou. Ela alerta que nova privatização é “condenar a população à seca permanente” e transformar um direito humano em mercadoria.

O sindicato também denuncia a precarização trabalhista nas empresas privadas, com registros de salários abaixo do piso legal, revertidos pela entidade.

A posição dos Urbanitários é clara: a solução passa pelo fortalecimento da Casal e pela retomada da gestão pública e estatal da água. A entidade defende que o Estado reassuma o controle, invista na recuperação da companhia e garanta a universalização do saneamento“Água não é mercadoria. É vida, é direito e deve estar a serviço do povo alagoano”, conclui a nota.