Educação de Maceió conta com 114 Salas de Recursos Multifuncionais

05 de abril de 2025 às 09:08
Maceió

Foto: Carol Cordeiro / Ascom Semed

Redação com Assessoria

Para garantir uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), a Secretaria Municipal de Educação de Maceió (Semed) vem adotando diversas ações para promover a inclusão educacional e garantir o direito à educação de qualidade para todos, especialmente para as crianças e adolescentes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.

Dentre essas ações, a rede municipal de ensino conta com 114 Salas de Recursos Multifuncionais (SRMs) distribuídas nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) e escolas, de forma complementar ou suplementar à escolarização das cerca de 4.500 crianças e estudantes público-alvo da Educação Especial (PAEE), hoje matriculados no ensino regular, atendendo as necessidades específicas desse grupo, promovendo condições de acesso, participação e aprendizagem, para garantir a permanência, a qualidade e a inclusão de todos.

Para realização do Atendimento Educacional especializado (AEE), a rede conta com uma média de 140 professores com formação específica em Educação Especial ou Educação Inclusiva. Os atendimentos ocorrem duas vezes por semana, com duração de até 60 minutos cada, no contraturno da escolaridade da criança ou estudante público-alvo da Educação Especial. Os atendimentos podem ser realizados individualmente ou em grupos de até quatro crianças ou estudantes, a depender da idade e do nível de suporte necessário.

Desenvolvimento de habilidades

A técnica Pedagógica da Coordenação Técnica de Educação Especial (CTEE) da Semed, Michelyne Cavalcante, explica que as SRMs são implantadas por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), que destina recursos para o PDDE, apoiando financeiramente as escolas para fins de promoção da acessibilidade das salas de recursos multifuncionais, específicas ou bilíngues de surdos destinadas ao processo de ensino-aprendizagem.

“Os recursos podem ser utilizados para aquisição de itens e materiais pedagógicos; produtos de tecnologia assistiva; e equipamentos e materiais para o atendimento educacional especializado. Após contempladas, CMEIs e escolas constroem um plano de execução onde apresentam os materiais necessários conforme as idades e especificidades educacionais do público que serão atendidos”, destaca Michelyne.

Funcionamento na prática

Com 21 anos de atuação em SMRs, a professora Almerisa da Costa, da Escola Municipal Pedro Suruagy, conta que esses espaços permitem que os estudantes superem as dificuldades que possuem no dia a dia em sala de aula, utilizando materiais com atividades adaptadas para que possam ter uma educação de qualidade e desenvolver habilidades interpessoais, como a fala e a socialização. “É de fundamental importância esse suporte, e o dos Profissionais de Apoio Escolar (PAEs) também, porque o professor da sala comum por si só não dá conta, já que são muitas demandas dentro da sala de aula”, reforçou.

Hoje, a escola possui 236 estudantes matriculados e, conforme dados de março deste ano, 27 deles frequentam a Sala de Recursos Multifuncionais regularmente. Destes, 11 são crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma com deficiência auditiva, uma com baixa visão e 14 com deficiência intelectual. Também há algumas em investigação de diagnóstico e outras em processo de avaliação para atendimento.

Para serem atendidos, os professores da sala comum observam os estudantes que possuem algumas alterações comportamentais diferenciadas ou transtornos de aprendizagem, em seguida, eles são encaminhados para a sala de recursos, onde é realizada uma avaliação pedagógica.

“Ao detectar algo, entramos em contato com a família ou responsáveis para realizar uma entrevista, que é quando sabemos mais profundamente histórico de vida da criança, às vezes ela já tem atendimento em alguma instituição, já tem laudo, aí iniciamos o atendimento, que acontece duas vezes por semana em horário contrário ao que ela estuda”, explicou Almerisa.

A Escola Pedro Suruagy foi contemplada com duas verbas do MEC, no valor de 32 mil reais. Com esses recursos foram adquiridos materiais e equipamentos de informática para a SRM, como notebooks, móveis, ar condicionado, além de jogos pedagógicos e outros materiais necessários para auxiliar os alunos. A Semed também realizou reformas de adequação no prédio da escola, além da construção da própria sala de recursos.

Sala de Recursos Multifuncionais da Escola Municipal Pedro Suruagy. Foto: Carol Cordeiro / Ascom Semed
Sala de Recursos Multifuncionais da Escola Municipal Pedro Suruagy. Foto: Carol Cordeiro / Ascom Semed

Transformação

Lílian Santos, mãe do aluno Weverton Santos, de 10 anos, notou grandes avanços no desenvolvimento pessoal do filho. Ela conta que, além das dificuldades de aprendizado, o menino sofreu um abalo emocional após a perda de seu avô, o que o deixou mais tímido e recluso. “A escola, em especial a Sala de Recursos, foi o meu maior suporte, ajudou ele a fluir, a ter mais convívio. Hoje em dia meu filho é uma criança totalmente desenvolvida, já brinca melhor, se comunica melhor, desenvolveu a leitura e a escrita perfeitamente”, contou.

O aluno não possui um diagnóstico e, apesar de não ter acompanhamento de outra instituição, é assistido pela escola regularmente, no contraturno das aulas. Lilian explica que o acompanhamento da professora Almerisa é essencial não só para Weverton, mas também para que ela aprenda como agir e ajudar ele em casa.

“Às vezes ele se agita, mas a professora me aconselhou a abraçar e conversar com ele, para tranquilizá-lo, tudo isso tem funcionado. Quando posso estar na escola, estou, mas sempre recorro a ela. Como mãe e cidadã, acho fundamental a sala de acompanhamento, porque se não for a escola estando junto à família, a criança não vai ter desenvolvimento”, reforçou.

Para Weverton, que está no 5º e último ano da Escola, a sala de recursos é um de seus momentos favoritos. Acompanhado desde o primeiro ano, ele tem aproveitado esse tempo para se desenvolver. “Eu gosto de vir para fazer as atividades muito divertidas, principalmente de matemática e pintura. E converso, brinco, aprendo, tudo divertido”, falou.

Formações Continuadas

Pollyana de Araújo, coordenadora da Educação Especial da Semed, explicou que a secretaria realiza rotineiramente formações continuadas com os profissionais da rede, abordando vários temas, entre eles a Educação Inclusiva. Além disso, as unidades escolares realizam reuniões com as famílias das crianças e estudantes público-alvo da Educação Especial, avaliando necessidades específicas para desenvolver suas habilidades e competências, diálogo com troca de informações sobre seus filhos e orientação de como elas podem contribuir no desenvolvimento escolar e no ambiente familiar, reforçando a necessidade do atendimento multiprofissional da saúde.

“A Semed vem desenvolvendo mensalmente Formação Continuada com todos profissionais da rede, trabalhando vários temas dentre eles temas voltados para a Educação Inclusiva. Nos dias 11 a 13 de março deste ano realizamos a Jornada Pedagógica 2025, que teve como tema ‘Garantir a inclusão, a equidade e a inovação no cotidiano escolar: perspectivas e desafios’. O evento reuniu educadores para diálogos, palestras e trocas de experiências que fortalecem a rede municipal de ensino enfatizando a importância do Planejamento Educacional Individualizado (PEI) e o Desenho Universal da Aprendizagem (DUA)”, concluiu a coordenadora.