Consultor financeiro alagoano alerta para riscos das bets após decisão de Lula de proibir apostas no Brasil

29 de setembro de 2026 às 14:17
Brasil

Foto: arquivo pessoal

Redação

As apostas online, conhecidas como bets, ganharam espaço no Brasil nos últimos anos e passaram a fazer parte do cotidiano de milhões de pessoas. Com plataformas acessíveis pelo celular e ampla divulgação em transmissões esportivas, televisão e redes sociais, a promessa de ganhos rápidos acabou atraindo cada vez mais apostadores.

O problema aparece quando a aposta deixa de ser apenas uma forma de entretenimento e passa a ser vista como alternativa para complementar a renda ou resolver dificuldades financeiras. Nesse cenário, o dinheiro utilizado nas apostas pode comprometer recursos destinados a contas, dívidas e despesas básicas da família.

O tamanho do mercado também chama atenção. Somente no primeiro semestre de 2026, as empresas de apostas autorizadas registraram cerca de R$ 20,07 bilhões em receita bruta. O valor representa a diferença entre o total apostado e os prêmios pagos aos jogadores.

Diante desse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou, em 25 de setembro de 2026, a Medida Provisória nº 1.394, que determina a proibição da oferta e da publicidade das apostas de quota fixa no Brasil, incluindo apostas esportivas e jogos online abrangidos pela medida. A MP prevê um período de transição para a saída das plataformas e regras para a devolução de valores aos apostadores. Por se tratar de uma medida provisória, o texto ainda será analisado pelo Congresso Nacional.

Para o economista e consultor financeiro alagoano Frank Barreiros, o crescimento das bets trouxe impactos que vão além do entretenimento e podem atingir diretamente o orçamento das famílias.

“O crescimento das bets tem afetado a vida financeira de muitos brasileiros. Quando o orçamento já está apertado, a promessa de dinheiro rápido pode fazer a aposta parecer uma solução. Mas apostar não é uma estratégia para sair das dívidas. Mesmo depois de um prêmio, a pessoa pode continuar jogando para tentar ganhar novamente ou recuperar perdas, comprometendo recursos que fazem falta para suas necessidades e seus objetivos. A educação financeira ajuda a reconhecer esse risco, mas quem já perdeu o controle sobre as apostas também precisa de acolhimento e cuidado”, afirma Frank.

Segundo o consultor, a decisão do governo também reforça a necessidade de discutir a relação dos brasileiros com o dinheiro e os riscos envolvidos nas apostas.

“Essa decisão traz o tema para o centro do debate público, mas também deixa uma lição para a vida financeira: o dinheiro destinado às contas e aos planos da família não deve ser colocado em risco na expectativa de um ganho incerto. Reconhecer essa diferença é um passo importante para proteger o orçamento”, reitera Frank Barreiros.