Um dia de mandato, mais de R$ 2 milhões em gastos: o saldo de Renan Filho fora do Senado
Redação
Enquanto comandava o Ministério dos Transportes, ex-senador manteve salário da Casa, usou imóvel funcional por mais de três anos e ainda somou milhões em voos da FAB
Basta um dia. Foi esse o tempo que Renan Filho passou de fato exercendo o mandato de senador antes de deixar a cadeira para o suplente Fernando Farias e voltar ao comando do Ministério dos Transportes. Só que essa ausência praticamente total do plenário não significou ausência de custos para os cofres públicos. Pelo contrário: somando salário, moradia funcional, plano de saúde e voos oficiais, a conta relacionada a Renan Filho ultrapassa a casa dos R$ 2 milhões.
Tudo começou em 1º de fevereiro de 2023, data da posse. No dia seguinte, ele já havia deixado o cargo, mas isso não impediu o recebimento da ajuda de custo de início de mandato, o famoso auxílio-mudança, que na época equivalia a R$ 39.293,32, o mesmo valor do subsídio mensal de um senador.
Salário do Senado seguiu entrando mesmo à distância
Ainda que estivesse à frente de um ministério, Renan optou por continuar recebendo sua remuneração como senador, benefício que foi reajustado ano após ano: R$ 39.293,32 em 2023, subindo para R$ 41.650,92 em abril do mesmo ano, R$ 44.008,52 a partir de fevereiro de 2024 e R$ 46.366,19 desde fevereiro de 2025. No total, entre fevereiro de 2023 e março de 2026, último mês completo antes de sair do ministério, os subsídios pagos pelo Senado somam cerca de R$ 1,67 milhão brutos.
Casa de R$ 10 mil por mês e plano de saúde inclusos
Mesmo licenciado, Renan não abriu mão de outros privilégios da função. Os próprios dados de transparência do Senado revelam que ele usou um imóvel funcional da Casa por 39 meses seguidos. Comparando com o mercado imobiliário, casas parecidas na Asa Sul, em Brasília, com cerca de 200 metros quadrados e quatro quartos, custam algo perto de R$ 10 mil de aluguel mensal hoje em dia. Nessa conta, o benefício da moradia representaria cerca de R$ 390 mil ao longo do período.
O plano de saúde do Senado também seguiu ativo durante todo esse tempo. De acordo com levantamento do Ranking dos Políticos, o custo médio mensal por beneficiário nesse plano é de R$ 5.362,59. Multiplicado pelos mesmos 39 meses, apenas para o próprio Renan, o valor chega a aproximadamente R$ 209,1 mil.
Metade dos voos da FAB no semestre foram dele
Os números ficam ainda mais expressivos quando o assunto é transporte. Reportagens mostram que o Ministério dos Transportes utilizou aviões da FAB em 42 voos apenas no primeiro semestre de 2026, e Renan Filho estava a bordo em 21 deles, exatamente metade. Boa parte dessas viagens teve Maceió como ponto de partida ou de chegada. Somando só o que pode ser calculado com precisão, esses deslocamentos representam um gasto estimado de R$ 2,31 milhões.
Duas contas ao mesmo tempo
Há ainda um detalhe que reforça o tamanho do impacto financeiro: enquanto Renan Filho seguia recebendo do Senado mesmo fora do plenário, seu suplente Fernando Farias exercia o mandato normalmente, com direito a salário e benefícios de senador em exercício. Na prática, a cadeira de Alagoas gerou despesa dobrada, sustentando ao mesmo tempo quem estava no cargo e quem seguia vinculado a ele à distância.