Ligada a secretário de Saúde, empresa investigada pela PF já recebeu R$ 40 milhões do governo de Alagoas desde a primeira gestão de Renan Filho

20 de agosto de 2026 às 16:03
Política

Foto: reprodução

Por Redação

A clínica NOT – Núcleo de Ortopedia e Traumatologia, investigada pela Polícia Federal por suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos da Saúde, já recebeu cerca de R$ 40 milhões do Governo de Alagoas desde janeiro de 2015.

O valor considera os pagamentos registrados desde o início da primeira gestão de Renan Filho, e atravessa também o atual governo de Paulo Dantas (MDB). Renan tomou posse em 1º de janeiro de 2015 e permaneceu à frente do Estado até abril de 2022, quando renunciou para disputar o Senado. Os valores recebidos foram contabilizados até o dia 20 de agosto de 2026, segundo dados do Portal da Transparência estadual.

A cifra chama atenção diante das suspeitas levantadas pela Polícia Federal sobre a relação da clínica com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). A NOT é um dos focos da Operação Estágio IV, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos na Saúde de Alagoas.

A empresa teve como sócio, até 2023, Gustavo Pontes de Miranda, secretário da Saúde de Alagoas. Poucos dias depois de sua saída do quadro societário, a empresa pediu ingresso no programa Mais Saúde/Especialidades, e o próprio Gustavo, já no comando da Sesau, encaminhou o pedido para análise. Posteriormente, autorizou a prestação dos serviços pela antiga empresa.

Sua esposa, Luciana de Fátima Leite Pontes de Miranda, atua até hoje como fisioterapeuta na clínica, como indica o quadro de colaboradores da empresa. Segundo a Polícia Federal, ela já recebeu mais de R$ 1,3 milhões em pagamentos da NOT. 

Mesmo após a deflagração da operação da PF, em dezembro de 2025, os repasses continuaram. Só neste ano, foram R$ 6,1 milhões pagos pelo governo do Estado à clínica privada. 

Já Gustavo Pontes, que chegou a ser afastado da Secretaria da Saúde por decisão judicial em dezembro de 2025, retornou ao cargo em fevereiro de 2026 após decisão liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele segue como secretário estadual da Saúde.