Relatório da PF: esposa de secretário da Saúde de Alagoas recebeu mais de R$ 1,1 milhão da Clínica NOT investigada
Francês News
Relatório revela 52 transferências para Luciana de Fátima Leite Pontes de Miranda e outros R$ 165 mil destinados à empresa da qual ela é sócia
A análise das movimentações financeiras realizada pela Polícia Federal na Operação Estágio IV identificou que a Clínica Núcleo de Ortopedia e Traumatologia (NOT) realizou mais de R$ 1,3 milhão em pagamentos para a fisioterapeuta Luciana de Fátima Leite Pontes de Miranda, esposa do secretário de Estado da Saúde de Alagoas, Gustavo Pontes. As informações constam no relatório da investigação obtido com exclusividade pelo Portal Francês News.
Segundo a Polícia Federal, entre as movimentações bancárias analisadas, a clínica realizou 52 transferências, que somaram R$ 1.154.251,80, diretamente para Luciana. Além disso, outros R$ 165.921,60 foram enviados para a empresa Leite e Spindola Ltda., da qual ela figura como sócia.
Os investigadores destacam que essas operações passaram a integrar o conjunto de elementos analisados durante a apuração sobre o funcionamento financeiro da clínica e dos contratos relacionados ao Programa Mais Saúde/Especialidades.
O relatório da Polícia Federal descreve que a análise das contas bancárias da Clínica NOT identificou diversos destinatários de recursos, entre eles pessoas físicas e jurídicas ligadas ao corpo clínico e à administração da empresa.
Além dos pagamentos destinados a Luciana de Fátima Leite Pontes de Miranda, a investigação identificou repasses à empresa Leite e Spindola Ltda., sociedade empresarial da qual ela participa.
Segundo a Polícia Federal, as movimentações financeiras foram reunidas em fluxogramas e passaram a integrar a investigação patrimonial desenvolvida pela Operação Estágio IV.
A investigação também registra que Luciana de Fátima Leite Pontes de Miranda integrava o corpo clínico da Clínica NOT.

Na reportagem da série exclusiva do Portal Francês News, foi mostrado que a Polícia Federal analisou a capacidade operacional da clínica após identificar a declaração de mais de 42 mil procedimentos de fisioterapia em apenas dois meses. Durante essa análise, os investigadores verificaram que Luciana aparecia como uma das fisioterapeutas vinculadas à unidade.
Além da atuação profissional na clínica, o relatório também registra que Luciana cursava Medicina em uma instituição de ensino localizada em Olinda (PE), exercia cargo de secretária parlamentar na Câmara dos Deputados e administrava empresa própria em Maceió. Esses elementos foram considerados pela Polícia Federal ao analisar a estrutura operacional apresentada pela clínica.
Além dos pagamentos destinados à esposa do secretário, a investigação aponta outras movimentações consideradas relevantes.
Segundo o relatório, a Clínica NOT realizou transferências para diferentes pessoas físicas e jurídicas, incluindo R$ 16 mil destinados à empresa CHMMED Produtos Médicos Hospitalares.
Os investigadores ressaltam que todas essas operações financeiras passaram a compor o conjunto de elementos utilizados na apuração sobre a origem e o destino dos recursos movimentados pela clínica.
Até o momento, Gustavo Pontes nega as acusações formuladas pela Polícia Federal e sustenta, por meio de sua defesa, que a investigação apresenta nulidades processuais que serão analisadas pelo Poder Judiciário.
A reportagem não localizou manifestação pública de Luciana de Fátima Leite Pontes de Miranda nem da Clínica NOT sobre os apontamentos constantes no relatório da Operação Estágio IV. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.