Projeto de Renan Calheiros sobre o Banco Master levanta suspeitas nos bastidores do setor financeiro
Por Redação
Um projeto de lei apresentado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) entrou no centro dos debates políticos e econômicos que envolvem a crise do Banco Master. A proposta surge no mesmo momento em que informações de bastidores apontam para uma estratégia do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para reassumir influência sobre a instituição financeira, negociar dívidas e conduzir pessoalmente a venda de ativos.
O Projeto de Lei nº 2502/2026, protocolado por Renan no Senado Federal, propõe alterar a legislação atual do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Hoje, o FGC funciona com limites de cobertura para proteger depositantes em caso de quebra de bancos. A proposta do senador alagoano quer acabar com esse limite e garantir uma cobertura integral — sem teto de valor — especificamente para os recursos de regimes próprios de previdência social (RPPS) e de previdência complementar de estados, municípios e do Distrito Federal que estejam aplicados no conglomerado do Banco Master.
A articulação de Daniel Vorcaro
A apresentação do projeto acendeu alertas por coincidir com os planos de Daniel Vorcaro. Informações que circulam no setor financeiro e já chegaram a autoridades federais indicam que o ex-banqueiro está articulando seu retorno ao comando do Banco Master.
O objetivo de Vorcaro seria supervisionar diretamente a venda do patrimônio financeiro do banco, quitar as dívidas existentes e, caso haja sobra financeira após o pagamento de todo o passivo, manter o saldo remanescente. Essa movimentação teria sido apresentada por ele a interlocutores do governo federal e a autoridades que acompanham as negociações de uma possível delação premiada do ex-banqueiro. Como o tema mexe com cifras bilionárias e fundos de pensão públicos, a proposta de mudança no FGC passou a ser vista sob forte suspeita.