Marcola nega conhecer Deolane Bezerra e reage com indignação a novo mandado de prisão
Por Redação com agências
A defesa de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, manifestou-se publicamente sobre os desdobramentos da Operação Vérnix, deflagrada na última semana pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. O advogado Bruno Ferullo informou que se reuniu com o cliente na Penitenciária Federal de Brasília e que o detento reagiu com "surpresa e indignação" ao descobrir que havia sido alvo de um novo mandado de prisão preventiva cumprido dentro do estabelecimento penal.
De acordo com o defensor, Marcola negou veementemente possuir qualquer tipo de relação ou vínculo com a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, bem como com o investigado Everton de Souza. Ambos foram presos sob a suspeita de operar um milionário esquema de lavagem de dinheiro estruturado para dar aparência lícita a recursos obtidos de forma criminosa pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
A defesa técnica de Marcola sustentou que o único elo do cliente com os nomes citados no inquérito policial decorre exclusivamente do parentesco com seu irmão, Alejandro Camacho, e com seus sobrinhos, Leonardo e Paloma Camacho, também mencionados nas apurações da Operação Vérnix.
O elo investigado pela polícia
As investigações que culminaram na prisão de Deolane Bezerra tiveram como ponto de partida bilhetes e manuscritos apreendidos pelas autoridades há sete anos na Penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Embora as anotações da facção não citassem nominalmente a influenciadora, os papéis detalhavam ordens logísticas que permitiram à polícia identificar a empresa Lopes Lemos Transportes Ltda., apontada pelos investigadores como uma "criação da própria facção" para o branqueamento de capitais.
Segundo o Ministério Público, a quebra de sigilo bancário revelou que Deolane recebia vultosas quantias financeiras oriundas dessa transportadora, que era operada por dois "laranjas" atualmente foragidos. A acusação aponta Everton de Souza como o articulador financeiro do grupo, responsável por intermediar e autorizar as transferências das contas fantasmas diretamente para as contas da influenciadora.
Fontes ligadas à Polícia Civil relataram que Deolane "sentiu o baque" ao ser informada sobre a conexão das ordens de prisão com a empresa de transportes. Para a equipe de investigação, o fato de não existir nenhum contrato comercial ou prestação de serviço formalizado que justificasse o trânsito dos valores configura um forte indício de que a advogada tinha ciência da origem ilícita do dinheiro.
Defesa de Deolane recorre ao STF
Durante a audiência de custódia, o corpo jurídico que representa Deolane Bezerra pleiteou a concessão de prisão domiciliar, baseando o pedido no fato de a influenciadora possuir uma filha menor de 12 anos. Diante da negativa nas instâncias ordinárias, a defesa acionou o Supremo Tribunal Federal (STF).
No entanto, o ministro Flávio Dino rejeitou o pedido liminar, argumentando que não foi verificada "manifesta ilegalidade" no decreto prisional e ponderando que a ação não deve pular etapas processuais antes de esgotar os recursos nos tribunais inferiores.
Em nota oficial, os advogados de Deolane Bezerra reiteraram sua total inocência, classificaram as medidas restritivas adotadas pelo Judiciário como "desproporcionais" e afirmaram que todos os fatos e movimentações contábeis serão devidamente esclarecidos no momento oportuno do processo.