Chicote da Equatorial estrala nas costas do povo pobre de Maceió
Por Redação
A Equatorial Alagoas, empresa responsável pela distribuição de energia elétrica em todo o estado, cujo os lucros ultrapassaram mais de R$ 800 milhões em 2025, colocou um alvo na população mais pobre de Maceió.
Conjuntos residenciais de habitação popular receberam em suas respectivas redes elétricas o Sistema de Medição Centralizado (SMC), popularmente conhecido como sistema antifurto.
O SMC foi instalado pela Equatorial Alagoas em conjuntos como o Parque da Lagoa, no Vergel do Lago, Parque dos Caetés e Morada do Planalto, no Benedito Bentes. A expansão do sistema, no entanto, já alcança diversas áreas da capital, atingindo regiões como Cidade Sorriso, no Benedito e também o bairro do Feitosa e grande parte da periferia. Estima-se que cerca de 30% do Benedito Bentes e 20% do Jacintinho já estejam sob cobertura da tecnologia.
A instalação do sistema em bairros empobrecidos de Maceió, como Vergel do Lago, Benedito Bentes e Jacintinho, evidencia um foco nas áreas com maior incidência de “gato”, mas, por trás da suposta modernização, a ação da Equatorial impacta de forma desproporcional a população preta e pobre de Alagoas, atingindo trabalhadores e pequenos comerciantes dessas regiões.
Na prática, é a população mais vulnerável que sofre com as medidas tomadas pela empresa multimilionária. A ação prejudica diretamente os consumidores regulares da concessionária, e não apenas aqueles que eventualmente cometem irregularidades.
O dispositivo é capaz de identificar oscilações de energia e, de forma preventiva, realizar o desligamento da rede elétrica para que sejam identificados imóveis que estejam realizando o famoso “gato de energia”.
A situação se complica quando todos os consumidores e moradores desses conjuntos habitacionais têm sua rede desligada de forma coletiva.
O desligamento dura, inicialmente, cerca de meia hora. No entanto, caso o sistema identifique nova oscilação, a energia pode permanecer cortada até que equipes técnicas realizem o religamento presencial, o que, em alguns casos, tem levado até dois dias.
Sem aviso prévio, a Equatorial Alagoas amplia o alcance do sistema e coloca a periferia de Maceió como alvo direto de suas medidas.