Conselheiros tutelares criticam proposta de voto único e apontam uso político do debate em União dos Palmares

27 de janeiro de 2026 às 18:20
Política

Foto: reprodução

Por Redação 

A proposta de adoção do voto uninominal na eleição do Conselho Tutelar provocou reação pública de conselheiros em exercício no município. Alisson Pereira e Anderson Austragesilo se manifestaram nas redes sociais após a repercussão da iniciativa apresentada no Legislativo local, questionando o que classificam como aparições pontuais de atores políticos em períodos pré-eleitorais.

Em publicação feita neste domingo (25), Alisson Pereira afirmou que a atuação no Conselho Tutelar exige presença constante e envolvimento direto com crianças e adolescentes ao longo de todo o mandato. Segundo ele, a defesa de mudanças no processo eleitoral, neste momento, parte de pessoas que não possuem histórico de atuação contínua na área. “O Conselho Tutelar não é palco pra vaidade, nem trampolim pra política partidária. É responsabilidade. É trabalho sério”, escreveu.

O posicionamento recebeu apoio do conselheiro Anderson Austragesilo, que compartilhou a publicação e reforçou o desconforto da categoria com a condução do debate. Para eles, a discussão sobre o formato de votação não pode se sobrepor à necessidade de experiência técnica e compromisso comprovado com a proteção da infância e da adolescência.

A manifestação ocorre após o portal BR104 divulgar que o vereador Thor Vicente apresentou proposta para alterar o sistema atual, no qual o eleitor pode escolher até cinco candidatos, para o modelo de voto único. De acordo com o parlamentar, a mudança teria como objetivo estimular a renovação e reduzir a influência de grupos políticos organizados no processo de escolha.

Os conselheiros que reagiram à proposta avaliam, no entanto, que o tema vem sendo tratado de forma antecipada e pode estar inserido em uma estratégia política com foco no pleito de 2027. Para Alisson Pereira, a legitimidade para disputar uma vaga no Conselho Tutelar se constrói no trabalho cotidiano, e não apenas durante o período eleitoral.

Do ponto de vista legal, a proposta segue diretrizes previstas na Resolução nº 231/2022 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que recomenda o voto uninominal como modelo preferencial. Ainda assim, a reação dos atuais conselheiros indica que o tema deve gerar debates mais intensos na Câmara de Vereadores.