China sorri ao livre comércio enquanto Trump fecha os EUA, diz ex-FMI
CNN Brasil
Para Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Mundial e ex-diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), os “chineses estão sorrindo com” o isolamento que o presidente Donald Trump está promovendo na economia dos Estados Unidos.
“O que acontece agora com esse recuo exacerbado dos Estados Unidos para um protecionismo é de fato os chineses sorrindo para mostrar-se abertos ao livre comércio”, disse Canuto ao WW desta sexta-feira (4).
O ex-FMI olha para a Ásia, onde, segundo ele, o inimaginável está acontecendo: Japão, China e Coreia do Sul — países historicamente apartados — estão buscando se aproximar política e economicamente para se fortalecerem ante as tarifas de Trump.
“O ‘Mr. Trump’ está conseguindo esse efeito de unificar até países que seriam inteiramente adversários há pouco tempo atrás”, ponderou.
O economista relembrou que a China vem se preparando e buscando se tornar menos dependente da economia norte-americana desde o primeiro mandato de Trump, quando o republicano já havia engajado uma primeira guerra comercial. Com isso, pontua que a segunda maior economia do mundo prontificou-se desde aquela época para responder aos EUA como fez nesta sexta.
Canuto compara o movimento a uma luta de boxe.
“Na luta de boxe você tem pancadas de um lado e do outro, e o vencedor do embate é o que aguenta mais pancadas e que inflige as mais violentas do outro lado. […] O que foi surpreendente hoje é que não se esperava que a China fosse reagir da maneira incisiva como fez”, frisou.
“A reação chinesa não deixou de surpreender a maioria dos analistas, e a julgar pela reação surpreendeu o próprio Trump. […] Trump será obrigado a dar uma nova rodada de restrições. Hoje foi um capítulo importante dessa luta de boxe.”