Brasil registra 1º caso de paciente infectado por fungo resistente; veja sintomas e como se prevenir
g1
O Brasil registrou o primeiro caso de infecção pelo fungo Trichophyton indotineae, que apresenta resistência a tratamentos médicos. O registro foi feito em Piracicaba, no interior de São Paulo, em um paciente de 40 anos que veio da Europa. A informação foi publicada em artigo na revista científica Anais Brasileiros de Dermatologia.
O primeiro relato sobre o fungo ocorreu na Índia, mas ele já circula pela Europa, Ásia e América. No entanto, poucos casos foram relatados até o momento, principalmente devido à identificação incorreta e subnotificação, segundo pesquisadores.
Já o primeiro caso brasileiro foi atendido pela dermatologista Renata Diniz. O paciente é brasileiro e mora em Londres, na Inglaterra, mas também tinha realizado viagens para Inglaterra, Áustria, Eslováquia, Hungria, Polônia, Escócia e Turquia. O diagnóstico em Piracicaba ocorreu quando ele veio visitar a família.
O quadro era de uma micose persistente na região dos glúteos, da perna, com manchas vermelhas que descamam e coçam, e que não respondiam ao tratamento realizado até então.
Aspecto das lesões causadas pelo Trichophyton indotineae no paciente — Foto: Veasey et al., 2025/Anais Brasileiros de Dermatologia
"Logo na primeira consulta eu já estranhei, porque era um paciente jovem, com muitas lesões grandes, disseminadas, e que não tinha respondido a tratamentos fúngicos que a gente usa de forma corriqueira. Então, ele já me acendeu um alerta, e aí optei por mudar o tratamento. Ele respondeu com o tratamento mas, logo que ele terminou de tratar, voltaram as lesões", relata a médica.
Diante da dificuldade para chegar a uma cura, ela fez contato com o dermatologista John Verrinder Veasey, um dos autores da pesquisa e coordenador do Departamento de Micologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que sugeriu a pesquisa pelo Trichophyton indotineae.
Os médicos acionaram um laboratório especializado do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da Universidade de São Paulo (USP) para a análise, que confirmou o diagnóstico.
Resistência a medicamentos⚠️
Segundo a dermatologista que atendeu o caso, o principal alerta é em relação à resistência ao tratamento, pois ele não é um fungo que tem um potencial de risco à vida.
"Ele é um fungo que se desenvolve na pele, não espalha para dentro do corpo, não vai levar a uma deterioração além das lesões cutâneas. O grande problema dele é que essa questão da resistência ao tratamento. De forma geral, ele apresenta essa resistência ao principal antifúngico que a gente usa e ele responde a um outro antifúngico. Mas ele volta a crescer quando para de tratar", explica a profissional.
Ela observa que não é possível utilizar esses antifúngicos de maneira contínua pela possibilidade de efeitos colaterais.