Por que PL contrariou Bolsonaro e aprovou projeto para retaliar Trump
Metropoles
Apesar das críticas de Jair Bolsonaro, a bancada do PL na Câmara contrariou o ex-presidente e votou “sim” ao “PL da Reciprocidade“, que permite ao governo adotar medidas contra o “tarifaço” anunciado por Donald Trump.
Em conversas reservadas, bolsonaristas argumentam que, embora uma ala do PL concorde com o ex-presidente de que o melhor caminho seria a diplomacia, não havia como contrariar o agronegócio em um tema tão sensível.
Apesar de terem votado “sim”, bolsonaristas dizem esperar que o projeto seja um “tiro pela culatra” para Lula. A aposta é de que a reciprocidade fará o governo brasileiro diminuir impostos de importação a produtos americanos.
O PL, que está em obstrução em todas as votações na Câmara por causa do projeto da anistia, retirou a obstrução após o plenário atingir quórum suficiente para que o PL da Reciprocidade fosse votado na quarta-feira (2/4).
Críticas
Já Bolsonaro, aliado de Trump, escreveu em suas redes sociais que as sobretarifas do atual presidente dos Estados Unidos são apenas uma forma de proteger o país do “vírus socialista”.
“Uma eventual guerra comercial com os EUA não é uma estratégia inteligente e não preserva os interesses do povo brasileiro. A única resposta razoável à tarifação recíproca dos EUA é o governo Lula extinguir a mentalidade socialista que impõe grandes tarifas aos produtos americanos, inviabilizando o povo brasileiro de ter acesso a produtos de qualidade mais baratos”, afirmou Bolsonaro.
Filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro também criticou o projeto votado no Brasil. Autoexilado nos Estados Unidos, o deputado licenciado disse que votaria “contra” a proposta levada ao plenário na Câmara.
“Claro que seria mais confortável, para mim, aderir a narrativa do estadista imparcial que une direita e esquerda contra um inimigo externo, mas nem sempre o caminho mais suave é o melhor para os brasileiros”, disse Eduardo.