Falta de saneamento em Alagoas provoca milhares de internações em 2024
Redação
A precariedade do saneamento básico em Alagoas resultou em uma alta taxa de internações no estado ao longo de 2024. De acordo com um estudo do Instituto Trata Brasil, foram registradas 6.230 hospitalizações por doenças ligadas ao saneamento inadequado a cada 10 mil habitantes.
Dentre essas internações, 3.261 foram provocadas por doenças de transmissão feco-oral, causadas pelo contato com fezes contaminadas e transmitidas por bactérias, vírus, protozoários e vermes parasitas. Alagoas também apresentou 2.730 casos de internações relacionadas a doenças transmitidas por insetos vetores, especialmente a dengue. Outros fatores incluem contaminação direta pela água (0,014%), falta de higiene (0,081%) e infecções por vermes (0,019%).
A situação preocupa autoridades de saúde, que alertam para os impactos sociais e econômicos decorrentes do alto número de hospitalizações. Segundo a presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, a falta de saneamento básico aumenta as despesas com saúde pública e piora a qualidade de vida da população mais vulnerável.
Grupos mais afetados
Entre os grupos mais atingidos, crianças de até quatro anos somaram cerca de 70 mil internações em todo o país, representando 20% do total, com uma taxa de incidência de 53,7 casos por 10 mil habitantes. Entre idosos com mais de 60 anos, a incidência foi de 23,6, com mais de 80 mil hospitalizações (23,5% do total).
O estudo ainda revela que, entre 2008 e 2023, dos 5.570 municípios brasileiros, apenas 1.031 conseguiram reduzir a taxa de mortalidade por doenças relacionadas ao saneamento inadequado. No mesmo período, 2.791 cidades permaneceram com índices inalterados, enquanto 1.748 apresentaram aumento das taxas de mortalidade.